segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Visita às praças (1): Praça do Imigrante

Praça Centenário (Praça do Imigrante)
Av. Dom Becker - Centro

Nome dado em homenagem aos 100 anos de imigração, festejados em 1924, quando se ergueu o monumento encontrado no centro da praça, que hoje caracteriza a cidade. Também é conhecida como a Praça do Imigrante. Foi durante muitos anos a maior e mais bonita praça leopoldense.


A descrição acima encontra-se na página do site da prefeitura que lista os atrativos turísticos de São Leopoldo. De fato, esta praça, deve mesmo constar nesta listagem, pois é um importante referencial histórico.


Foi essa a primeira praça visitada pelo nosso grupo. E podemos já dizer que, na área central, esta é a praça que está em pior estado de conservação e limpeza. É também aquela que menos recebe visitantes.

São Leopoldo conquistou recentemente o reconhecimento definitivo pela Comissão de Educação do Senado, através de um projeto do deputado Beto Albuquerque, como Berço da Imigração Alemã no Brasil. É portanto inconcebível aceitar que um local tão importante como esse possa estar tão mal cuidado.


O monumento erguido em homenagem ao centenário da imigração está pichado, deteriorando-se e com alguns elementos faltando, provavelmente fruto de roubo.


Observando a imagem publicada no post anterior, podemos perceber que daquela época para cá, a praça ficou muito diferente, as características foram bastante alteradas. Basta percebermos o quanto o monumento perdeu do seu porte em relação ao espaço. É o Museu Visconde de São leopoldo, situado logo ali que guarda esses documentos e que deveriam servir como referência para a preservação dos elementos significativos do passado. No entanto, essa riqueza serve para golpear a cultura de uma cidade que também se expressa pela arquitetura e pelo desenho urbano.


A administração empurra goela abaixo um centro administrativo fortemente criticado por arquitetos da região, formados em grande parte em nossas universidades, indicando portanto que são conhecedores do que está sendo tratado. Vale a pena relembrar parte desta polêmica através do ótimos posts publicados aqui e aqui, dos excelentes www.defender.org.br e dzeit.blogspot.com


Recentemente, durante a os festejos de aniversário da imigração alemã, o prefeito anunciou a ampliação do Museu Visconde de São Leopoldo, através da discutível venda de índices, assunto que trataremos mais adiante. Isso demonstra que o projeto do centro administrativo, a ampliação do museu e o desleixo com a Praça do Imigrante estão sendo tratados isoladamente. Provavelmente, lá adiante, tudo isso vá se tornar um gigantesco frankstein.



É dessa forma que o centro histórico de São Leopoldo está sendo tratado. Retalhando uma área extremamente nobre, através da total desconexão entre os elementos, ignorando o rio, loteando toda essa riqueza.

Portanto, não é de se admirar que poucos aventuram-se a circular pela Praça do Imigrante.

4 comentários:

Jorge Luís Stocker Jr. disse...

A Praça do Imigrante que já foi um importante espaço cívico da cidade... Infelizmente pela falta de manutenção, acabou descaracterizada em sua ambiência.

Depois ainda perdeu sua relação com o rio, com a construção do dique. Claro que o Dique era necessário, mas será que foi a melhor forma de resolvê-lo? Fez-se uma obra de engenharia pura, quando poderia ter se pensado numa solução arquitetônica que fizesse o papel de dique mas que permitisse circulação de pessoas e o acesso ao rio...

É de chorar, quando vemos tomadas antigas a partir do rio e da ponte, a praça com seus pergolados, o conjunto histórico harmônico. Um lugar carcterístico, único, que foi sumindo aos poucos com a conivência da sociedade: incêndio e a criminosa demolição da antiga Unisinos, ampliação da rodoviária e uma série de prédios que acabam com as visuais do rio, etc;

Agora, abandonada e esvaziada em seu conteúdo histórico, através da infelizmente necessária substituição 'oficial' de algumas esculturas por réplicas, sem charme, a praça amarga um triste fim em meio ao lixo a que está relegada.

Jorge Luís Stocker Jr. disse...

O Estatuto das Cidades indica a venda de índice construtivo, como forma de preservação do patrimônio cultural.

Assim, pensa-se que o dinheiro do índice vendido pelo proprietário de uma casa antiga irá ser utilizado para recuperá-la, e o potencial construtivo vendido será aplicado para edificações em altura situados em locais com zoneamento adequado a este fim.

E em São Leopoldo, entendi certo? O índice 'do museu' será vendido para aplicar o dinheiro numa construção nova (que todos já imaginamos qual construtora irá se responsabilizar, né?). E pra onde esse potencial construtivo irá? Para dentro do próprio centro histórico, atropelando o restante das casas.
E quando não demolindo, prejudicando o resto da ambiência urbana, poluindo as visuais com edificações banalizadas e bregas, entupindo de trânsito uma cidade de ruas estreitas e que já não comporta mais circulação...

Dinheiro vindo diretamente da degradação do patrimônio histórico da cidade, sou forçado a pensar que instituições ligadas a preservação histórica não deveriam aceitar nem de graça. Espero sinceramente ter entendido mal.

Jorge Luís Stocker Jr disse...

Mas enfim, depois de tanto falar, quero deixar os parabéns pela iniciativa dessas visitações na cidade.
Isso é legítimo exercício de cidadania.
O espaço urbano é um bem comum, é o local onde vivemos, não pode continuar às traças e visto apenas como um tabuleiro de xadrez para o mercado imobiliário empilhar suas pecinhas.

Espero(mas não creio) que o poder público local tenha maturidade para visualizar essas iniciativas e cumprir seu papel de resolver os problemas, e não apenas classificá-las e banalizar a mensagem como "oposição política".

Marcelo Hernandez Borba disse...

É intenção do movimento promover estas incursões na cidade com o objetivo de perceber como a cidade está sendo tratada e por que caminhos ela está sendo levada.
De fato, quando de forma espontânea esse movimento surgiu, de imediato ele passou a ser visto como oposição no sentido de ser adversário, de possuir alguma outra intenção além daquela que é a mais legítima, que é pleno exercício de cidadania, de participação.
Os políticos que estão por hora em seus cargos não conseguem perceber esses movimentos fora dessa lógica a qual eles montaram e se acostumaram. Uma lógica em que, ao aproximarem-se novas eleições, o fazer político resume-se apenas a cálculos de possíveis votos para assim afinarem suas estratégias que visam tão somente assumir o poder. Não existe uma verdadeira intenção de promover o melhor para a cidade. E então, a cada novo "pacote" de 4 anos, São Leopoldo perde na sua essência. Constrói-se uma casca, um invólucro onde colam uma etiqueta chamada "uma nova cidade".
Esta cidade, lamentavelmente, afasta-se cada vez mais de tudo aquilo que de mais valioso deveria ter sido mantido de suas origens e segue para um futuro incerto.