quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Revisão do Plano Diretor:
Um momento crucial para São Leopoldo

Na parte de cima desta foto de São Leopoldo,  percebe-se a área verde do Colégio São José.
Aquele lugar não existe mais. O atual Plano Diretor permitiu a supressão daquele mato. 

A manutenção e a criação de áreas verdes são fundamentais para termos um espaço urbano qualificado quanto ao bem estar das pessoas. São essa áreas que oferecem condições para a tão almejada qualidade da vida urbana, pois elas atuam nas questões físicas e mentais do homem, constiuindo-se em verdadeiros oásis em meio ao cimento e o asfalto, diminuindo o calor, melhorando a qualidade do ar, oferecendo-se como espaços de refúgio às pessoas, que contam com estes ambiente para momentos de lazer, descanso e recreação. Esta áreas significam muitas vezes a oportunidade que resta de contato com a natureza, para muitas pessoas.

Não há nada de novo nessas constatações. Todos sabemos que de fato, cada vez mais, os espaços verdes urbanos são vitais. A região central de São Leopoldo necessita preservar e investir na recuperação e qualificação do que resta destas áreas. São os bairros adjacentes ao centro, aqueles que ainda dispõe de terrenos arborizados com árvores de grande porte, inclusive com alguma fauna.

Estamos num momento crucial. O avanço dos empreendimentos da construção civil ocorre com a total permissão da administração atual, que está amparada no Plano Diretor que está em vigor. Poucos sabem, mas neste momento está sendo elaborada a revisão deste Plano. Uma revisão que ocorre no interior dos gabinetes. Se há representação da população neste processo, ela é insignificante em número.

No entanto, por parte do setor da construção civil, do setor imobiliário, todos sabem que a pressão exercida é total. É preciso haver um reordenamento dessas forças. São as pessoas que vivem em São Leopoldo a razão desta cidade. A lógica está invertidda. Esta cidade está se desenvolvendo em acordo com os interesses de alguns poucos, alguns empresários da construção civil. Eles defendem seus interesses econômicos acima de qualquer coisa, em detrimento total e absoluto do ser humano. Em quais condições as novas gerações viverão nesta cidade, não estão sendo levadas em conta. No atual curso, o mínimo que resta de verde, em pouquíssimo tempo, deixará de existir.

Hoje, o jornal VS traz o anúncio da Câmara de Vereadores, informando sobre Audiência Pública, que tratará sobre projeto de lei encaminhado pela prefeitura, instituindo 11 Áreas de Especial Interesse Ambiental. Esta é uma ocasião preciosa para que todos possam perceber como os vereadores da cidade legislam nessas questões. Já de antemão temos pelo menos duas dúvidas: a prefeitura excluiu alguma importante área desse projeto? E em defesa de quais interesses esta audiência foi solicitada?

A audiência pública ocorrerá nesta quinta-feira, 1º de setembro de 2011, às 17:00hs, no Plenário da Câmara Municipal de São Leopoldo.Todos que puderem estar presente para defender o que ainda resta de importante em termos ambientais, por favor, esteja presente. O Amigos do Morro do Espelho estará lá. Estejam conosco, pela cidade
sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Imigração Alemã no Brasil: Algumas Referências

Num processo de análise de situação, ter referências é fundamental, e referências em condições culturais similares. Por isso, firmamos base no município de Santa Cruz do Sul, cuja fundação da colônia alemã ocorreu apenas 22 anos após a colonização de São Leopoldo, no ano de 1847. Analisemos então, muito rapidamente, alguns pontos da cidade:

Praça da Bandeira:







Gramado conservado e cortado em zona central da cidade, com vegetação nativa acolhedora. Fazendo jus ao nome, a bandeira do Brasil está civicamente hasteada, num gesto de respeito e reconhecimento a um pertencimento maior.




O cuidado com o olhar da cidade para suas principais referências, mantém a história no cotidiano de seu povo, gerando valor e identidade. Sim, as imagens estão fixadas numa lixeira da praça.




Ainda na praça da bandeira, um monumento à independência do Brasil, conta mais história, mantém cultura nos olhos e sentimentos, e atrai turistas.




Prédio neoclássico, ainda na Praça da Bandeira, com ferramentas de atendimento à comunidade. Equipamentos de qualidade para acessibilidade e apoios emergenciais.

Homenagens à pessoas da comunidade, professores, estão por toda a cidade. A história é o presente na cidade.

PRAÇA GETULIO VARGAS





A praça Getúlio Vargas é a principal praça da cidade (dentre muitas outras). Todos os equipamentos instalados são mantidos manutencionados e operam todos os dias, como luminárias em postes, chafariz e banheiro público Masculino e Feminino.



Calçadas conservadas, monumentos em bronze, arborização. Tudo se mantém, com a operação de dois funcionários fixos em horário comercial e três funcionários operando em escala de turnos. Todos funcionários públicos concursados.




Para contextualizar e buscar a similaridade com a cidade de São Leopoldo, é importante dar uma retomada nas publicações anteriores desse blog, sobre praças e centro histórico (embora ainda não tenhamos explorado centro histórico em Santa Cruz do Sul), para auxiliar a interpretar os seguintes números (click na imagem para ampliá-la):




No quadro acima (dados de 2010 do IBGE), estão publicados as arrecadações dos principais tributos aplicados às populações de São Leopoldo e Santa Cruz do Sul, sendo o total, o somatório destas e de outras receitas. Na mesma imagem, também estão as principais despesas e o total. Aqui, uma conclusão importante: com muito menos ( a metade da receita ), a cidade de Santa Cruz do Sul (730km²) mantém a infra-estrutura cultural e de lazer, numa área territorial 7 vezes maior que São Leopoldo (102km²).

A seguir, o ranking dos 15 principais contratos dos dois municípios em 2011 (fonte site do TCE):

São Leopoldo:
Os principais contratos estão em salários, coleta de lixo e construtoras.


Santa Cruz do Sul
Os principais contratos estão nos salários, Hospitais, Educação e coleta de lixo.



Agora, o que não foi possível comparar entre as duas cidades foi o pagamento de multas de trânsito e salário educação, PELO MUNICÍPIO, à empresa privada?????? Assim está lá no TCE:





São Leopoldo pagou multa de trânsito e salário educação para uma empresa privada do ramo de construção civil?

Aos que acompanham os movimentos de São Leopoldo, o que justificaria tantas diferenças em prioridades de investimentos, destinos da verba pública, infra-estrutura, em cidades fundadas pela mesma cultura, numa mesma época?
terça-feira, 23 de agosto de 2011

Memória da cidade clama por atitude política

O nosso blog publicou ontem uma breve avaliação de parte do patrimônio histórico de São Leopoldo que não recebe a atenção da administração municipal no sentido de valorizar essa memória. Ao não promover ações concretas em benefício da manutenção desta importante herança cultural, a prefeitura negligencia às futuras gerações o direito de conhecer um pouco das origens do município.
A população assiste ao desabamento gradual deste importantíssimo prédio no centro da cidade e percebe nisso um pedido de salvamento urgente.
E quando nos aproximamos da abertura de mais uma edição da Feira do Livro, este espetáculo deprimente estará lá, bem próximo, para chamar a atenção de todos, de que o título de "Berço da Imigração Alemã" está se tornando, por muitas razões, apenas uma inscrição de fachada.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Visitando uma cidade escondida


Há uma outra cidade que, escondida, está esquecida e, esquecida corre o risco de desaparecer definitivamente. 

A saída pela cidade realizada pelo Amigos do Morro do Espelho no último sábado, percorreu uma parte daquilo que ainda resta de patrimônio histórico. Apesar de se perceber que os riscos que São Leopoldo corre em perder o pouco que ainda não foi destruído, essa saída também possibilitou ver que ainda é possível se fazer algo para que o reconhecimento definitivo como "Berço da Imigração Alemã" não se restrinja a um mero título. É preciso que haja uma forte correspondência e identidade entre este reconhecimento e o desenho da cidade. E este desenho precisa manter pelo menos algumas linhas que foram traçadas nas primeiras décadas da ex-sede administrativa das colônias alemãs.

Para esta saída, nosso grupo teve a grande contribuição de Jorge Luís Stocker Jr, um estudioso da arquitetura histórica das áreas de imigração do Rio Grande do Sul. Praticamente desde o início ele tem apoiado o Amigos e agora, quando tratamos especificamente deste tema, está contribuindo de forma muito significativa.

Reproduzimos abaixo alguns techos do artigo que faz uma breve análise, produzida pelo Jorge após nossa saída. Siga este link para ler o artigo "São Leopoldo (RS) e o potencial dos sítios históricos informais" na íntegra.

O patrimônio cultural não é apenas aquele tombado pelos institutos federal, estadual e municipal. O tombamento apenas declara oficialmente o valor do bem e o comprometimento do poder público em ajudar a mantê-lo. Por falta de vontade política, existem em nossas cidades centenas de potenciais “patrimônios culturais” não oficializados. São edificações isoladas ou mesmo sítios históricos informais que conservam-se minimamente, à revelia dos departamentos e leis preservacionistas.
Inseridos hoje na lógica de mercado, são meros objetos imobiliários aos quais aplica-se a legislação genérica de índices de aproveitamento, taxa de ocupação, etc. A valorização dos imóveis prenuncia o breve desaparecimento destes bens tão significativos.
A cidade tradicional desaparece, devorada pelo caos. A mera especulação financeira é aplicada sem restrições e sem sensatez. Definitivamente, não se está construindo uma cidade para o futuro. Constrói-se a decadência e a obsolência do amanhã, através desta preocupação apenas com o hoje, aplicando modelos de desenvolvimento ultrapassados.
Nota-se o mesmo processo que ocorre em grande parte das nossas cidades: o mercado imobiliário, hoje importante pilar econômico, precisa girar, e trabalha constantemente na criação e re-criação de demandas e de necessidades. É insuflada na população a necessidade da troca constante de casas e apartamentos. A justificativa mais comum é a da insegurança - que curiosamente, é uma consequência criada justamente por esse processo. A população não apenas muda-se de uma residência para um apartamento (ou condomínio fechado), mas muda-se constantemente também de um apartamento ao outro, novo e recém-construído, como uma forma de reafirmação do status social. O apartamento antigo passa para as classes inferiores, as residências, passam à obsolência e por estarem no início deste ciclo, entram na fila para a demolição.
Por termos encontrado algumas edificações listadas já completamente desfiguradas ou demolidas, é possível concluir sem medo que esta política de preservação já foi ultrapassada há muito tempo pelas artimanhas do mercado imobiliário. E pior, ela entra em conflito direto com o próprio Plano Diretor da cidade. Ao permitir construções com altíssimos IA (índice de aproveitamento) e TO (taxa de ocupação) em ruas onde situam-se grande parte dos bens indicados para preservação, a própria administração pública sugere a obsolência dos bens que julga adequado preservar, desvalorizando a ambientação do seu entorno e acirrando a especulação do próprio lote onde se situam. O processo acaba na inevitável demolição do bem histórico, pois tira o sentido de sua preservação e causa a obsolência de seu uso.
Os bens remanescentes precisam ser vistos na forma de conjuntos, e não isoladamente. A qualidade destes espaços advém da ocupação harmônica dos lotes, a relação harmônica de cheios e vazios tanto dos lotes (com a sequência de construções igualmente construídas no alinhamento) quanto das fenestrações (sequência verticalizada de portas e janelas, elementos particulares de cada prédio que formam ‘eco’ no conjunto). Estes espaços tradicionais ainda subsistem tranquilos, aprazíveis para morar, caminhar e vivenciar o espaço urbano. Simples iniciativas podem qualificar ainda mais estes espaços e torná-los atrativos também ao turismo, sem promover gentrificação ou criação de falsos ambientes.
sábado, 20 de agosto de 2011

Visitando nossa cidade - construções históricas


Neste sábado a tarde, o Amigos dará prosseguimento às saídas pela cidade. Desta vez iremos ver o que resta de construções representativas da história de São Leopoldo.

Nossa intenção é compreender um pouco mais o significado e o valor do patrimônio restante. O encontro será a partir das 13:30 no portão de entrada do Museu do Trem. Estão todos convidados.


Em caso de chuva, esta saída será adiada.


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Tombamento da Praça do Imigrante: Vamos cruzar os dedos!

A informação divulgada no jornal Vale do Sinos de 18 de agosto deixa a todos esperançosos de que o restante do patrimônio histórico de São Leopoldo receberá o tratamento adequado.

Todos esperam que o quanto antes possamos ver esse projeto que será encaminhado ao Iphan e que aquele importante sítio histórico seja tombado e torne-se um patrimônio do país.

A ironia ficará por conta do centro administrativo, já que a agressão que este prédio provocará no centro histórico, se tornará ainda mais evidente à medida que, de fato, esta área da cidade comece a ser recuperada.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cautelares suspendem pagamentos à empreiteiras em São Leopoldo

Notícia publicada no Tribunal de Contas do Estado

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Visita às praças (1): Praça do Imigrante

Praça Centenário (Praça do Imigrante)
Av. Dom Becker - Centro

Nome dado em homenagem aos 100 anos de imigração, festejados em 1924, quando se ergueu o monumento encontrado no centro da praça, que hoje caracteriza a cidade. Também é conhecida como a Praça do Imigrante. Foi durante muitos anos a maior e mais bonita praça leopoldense.


A descrição acima encontra-se na página do site da prefeitura que lista os atrativos turísticos de São Leopoldo. De fato, esta praça, deve mesmo constar nesta listagem, pois é um importante referencial histórico.


Foi essa a primeira praça visitada pelo nosso grupo. E podemos já dizer que, na área central, esta é a praça que está em pior estado de conservação e limpeza. É também aquela que menos recebe visitantes.

São Leopoldo conquistou recentemente o reconhecimento definitivo pela Comissão de Educação do Senado, através de um projeto do deputado Beto Albuquerque, como Berço da Imigração Alemã no Brasil. É portanto inconcebível aceitar que um local tão importante como esse possa estar tão mal cuidado.


O monumento erguido em homenagem ao centenário da imigração está pichado, deteriorando-se e com alguns elementos faltando, provavelmente fruto de roubo.


Observando a imagem publicada no post anterior, podemos perceber que daquela época para cá, a praça ficou muito diferente, as características foram bastante alteradas. Basta percebermos o quanto o monumento perdeu do seu porte em relação ao espaço. É o Museu Visconde de São leopoldo, situado logo ali que guarda esses documentos e que deveriam servir como referência para a preservação dos elementos significativos do passado. No entanto, essa riqueza serve para golpear a cultura de uma cidade que também se expressa pela arquitetura e pelo desenho urbano.


A administração empurra goela abaixo um centro administrativo fortemente criticado por arquitetos da região, formados em grande parte em nossas universidades, indicando portanto que são conhecedores do que está sendo tratado. Vale a pena relembrar parte desta polêmica através do ótimos posts publicados aqui e aqui, dos excelentes www.defender.org.br e dzeit.blogspot.com


Recentemente, durante a os festejos de aniversário da imigração alemã, o prefeito anunciou a ampliação do Museu Visconde de São Leopoldo, através da discutível venda de índices, assunto que trataremos mais adiante. Isso demonstra que o projeto do centro administrativo, a ampliação do museu e o desleixo com a Praça do Imigrante estão sendo tratados isoladamente. Provavelmente, lá adiante, tudo isso vá se tornar um gigantesco frankstein.



É dessa forma que o centro histórico de São Leopoldo está sendo tratado. Retalhando uma área extremamente nobre, através da total desconexão entre os elementos, ignorando o rio, loteando toda essa riqueza.

Portanto, não é de se admirar que poucos aventuram-se a circular pela Praça do Imigrante.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011

São Leopoldo vista pelos seus moradores

A partir deste sábado, dia 13 de agosto, o Movimento Amigos do Morro do Espelho pretende iniciar uma nova experiência. Serão feitas saídas de campo, com o objetivo de criar uma percepção atualizada de São Leopoldo.
Queremos saber com mais precisão qual o tipo de cidade que nós moramos e que indícios sobre o futuro podemos encontrar.
Iniciaremos visitando as praças.


Após cada saída, pretendemos publicar aqui no blog os relatos dessas experiências.
Quem quiser participar dessa atividade, o encontro para iniciar a atividade será às 13:30 na Praça do Imigrante.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sobre o Horto Florestal II

Continuação do artigo sobre o Horto Florestal publicado no Jornal VS


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Instituto São Leopoldo 2024: 1 ano

Sobre o Horto Florestal


Artigo no Jornal VS