domingo, 27 de fevereiro de 2011

Absurdo

O que aconteceu na última sexta-feira em Porto Alegre com o pessoal que integra o movimento Massa Crítica é uma daquelas coisas que ninguém supõe que possa acontecer. Um indivíduo que decide avançar seu automóvel por cima de dezenas de pessoas que estão pedalando suas bicicletas à sua frente, está ciente que tal atitude é extremamente perigosa e que existe nela um enorme risco de que possa ocasionar a morte de alguém.

Não há, no meu ponto de vista, nada que o Massa Crítica possa ter feito a esse ser que possa conceder a ele qualquer abrandamento à irresponsabilidade de seu ato. Façamos o seguinte paralelo: se manifestantes reunem-se numa praça pública na intenção de dar um basta a um governo ditatorial, e este decide abrir fogo contra essas pessoas, tal gesto poderá ter sua violência diminuída porque houve uma transgressão? Porque não houve uma autorização prévia para o manifesto? Sim, num governo não-democrático, ditatorial, isso é possível.

Pois o que tenho lido na mídia o que algumas autoridades estão evocando, me parece um disparate. Segundo o delegado Gilberto Almeida Montenegro, da Divisão de Crimes de Trânsito da Polícia Civil, na capital, houve excessos das duas partes envolvidas, ou seja, dos ciclistas e do motorista — "o grupo deveria ter comunicado a EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação) e a Brigada Militar (BM, a Polícia Militar gaúcha) sobre o passeio. Um para coordenar o trânsito e permitir o amplo direito de ir e vir, o outro para segurança" (Clic RBS: http://goo.gl/8r82C). Ou seja, esse delegado está afirmando que essa verdadeira tentativa de homicídio que esse covarde desequilibrado praticou contra o grupo que pedalava, não teria ocorrido se o movimento tivesse solicitado escolta e segurança. Uma vez que não houve esse pedido prévio, tal fato é possível que ocorra.

São muitos absurdos. O Massa Crítica tem um objetivo louvável e admirável. Diante do caos que dia após dia nossas cidades se tornam, eles buscam acordar a todos, ao sugerir que podemos escolher uma forma diferente de nos deslocarmos pelas ruas. Nem todos precisam necessariamente utilizar seu carro todos os dias, a todo instante, poluir ainda mais o ar que respiramos, congestionar ainda mais o trânsito.

A bicicleta é um veículo. Os condutores deste veículo possuem direitos ao circularem, assim como deveres quanto ao respeito às leis. Portanto, não estamos falando de algo que seja intruso. No entanto, na cultura de grande parte dos motoristas, uma bicicleta é sim um estorvo e entre esses motoristas, há figuras como esse assassino potencial que decidiu literalmente "passar por cima".

Podemos sim questionar se o Massa Crítica precisa melhor ajustar de que forma deve ocorrer sua manifestação. Mas nada sobre isso pode ser sequer levantado como contra-ponto a esta atitude tão primitiva, muito menos servir como justificativa.

Creio que aqueles que foram feridos naquele dia, poderão ter a satisfação de saber que esse fato servirá para impulsionar ainda mais o Massa Crítica.

Esse fato mostra o quanto é grave a situação do trânsito em nossas cidades e o mais grave, o quanto as autoridades responsáveis por modificar essa lógica, são despreparadas.

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