quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vencendo a inércia


Renato Silvano Pulz*
Nas últimas décadas a preocupação com a preservação da natureza vem despertando a sociedade para uma nova realidade, uma consciência ecológica necessária para garantir o futuro do planeta. O desenvolvimento das cidades, dos meios de produção e da indústria e as suas conseqüências como a excessiva produção de lixo, os desmatamentos e queimadas descontroladas, a poluição de rios e do ar, o aquecimento global são temas freqüentes em debates e discursos. É, pois, o desenvolvimento sustentável a nossa alternativa.

A história é testemunha da forma inescrupulosa como usurpamos as riquezas naturais do planeta. Luis Fernando Veríssimo escreveu que os argumentos ambientalistas ganhariam forças se pensássemos como inquilinos do mundo, com as mesmas obrigações, inclusive a de prestar contas no juízo final pelos prejuízos causados. Convém lembrar que a Terra é um organismo vivo, com suas leis próprias, buscando o equilíbrio constantemente e cobrando um preço alto pelas agressões sofridas.

Estamos acostumados a assistir sentados na frente da televisão a desastres ecológicos, como o vazamento de petróleo no Golfo do México, os recordes em temperaturas, as queimadas no centro-oeste, o desmatamento da Amazônia e a morte de grandes rios. Este cenário, que parece distante, é reflexo de um padrão de comportamento que começa em nossa própria casa. Há uma infinidade de situações bem próximas, mas que guardadas as proporções, tem o mesmo caráter criminoso. Quem nunca presenciou próximo de sua casa os depósitos de lixo a céu aberto, a poluição de riachos e rios com esgotos e os dejetos da indústria, o desperdício de água, além da derrubada de grandes áreas verdes?

Esta semana a comunidade do bairro Morro do Espelho iniciou uma mobilização popular para proteger o Bosque São Francisco de Assis, uma área de 4000 m2, que está ameaçado por um empreendimento imobiliário. A idéia é chamar a atenção do Poder Público e da sociedade para a manutenção de áreas verdes urbanas na cidade de São Leopoldo. Este é um exemplo de como podemos participar ativamente como agentes de transformação social. Pois é de conhecimento notório que a manutenção de ilhas verdes nos grandes centros urbanos é importante para melhoria da qualidade do ar, além de proporcionar vida a uma fauna adaptada à cidade e também na regulação da temperatura do entorno.

O discurso pela sustentabilidade está presente em nosso repertório, mas a inércia muitas vezes nos impede de agir. Está na hora de vencermos esta lei de Newton, no futuro não adiantará reclamarmos da falta do canto dos pássaros, das nuvens de insetos ou do calor insuportável irradiado pelo concreto. Por isto, parabenizo os moradores engajados, pela sua luta e pela mensagem que deixam, pois nossas ações repercutem no mundo a nossa volta. Edmund Burke nos lembrou que: "ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada porque achou que poderia fazer pouco".

* professor universitário 
Publicado no Jornal Vale do Sinos, pág. 12 da edição de 19 de novembro de 2010.

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